Lucas Hernández, defesa do Paris Saint-Germain e internacional francês — campeão do Mundo em 2018 —, está no centro de uma polémica judicial de grande dimensão. O futebolista e a sua noiva, Victoria Triay, foram formalmente acusados de tráfico de pessoas e ocultação de trabalho ilegal, na sequência de uma queixa apresentada por uma família colombiana junto do Ministério Público francês.
Segundo a denúncia, um casal e os seus três filhos terão viajado da Colômbia para França em setembro de 2024 com a promessa de emprego e regularização legal. Contudo, alegam ter trabalhado até novembro de 2025 sem qualquer enquadramento jurídico, sujeitos a horários excessivos e remuneração muito abaixo do legalmente previsto.
A mulher que lidera a queixa afirma ter sido alvo de exploração continuada, descrevendo um ambiente de humilhação, promessas incumpridas e carga laboral extrema, chegando a trabalhar cerca de 70 horas por semana. A família desempenharia várias funções em simultâneo, incluindo limpeza, confeção de refeições, cuidados infantis e vigilância.
A advogada da família sustenta que a conduta atribuída ao jogador contribuiu para manter os queixosos numa situação económica e social degradante, descrevendo comportamentos que, no seu entender, se aproximam do conceito de escravatura moderna.
Lucas Hernández já reagiu publicamente, afirmando estar profundamente chocado com as acusações e rejeitando qualquer prática ilegal. Ainda assim, o caso teve impacto imediato na sua situação desportiva: o defesa ficou suspenso e falhou a deslocação do PSG a Lisboa para o encontro frente ao Sporting, a contar para a Liga dos Campeões.
Impacto financeiro e no mercado de transferências
Para além das implicações judiciais, o processo levanta sérias interrogações sobre o futuro desportivo e financeiro de Lucas Hernández. Situações desta natureza tendem a afetar cláusulas contratuais, acordos de patrocínio e o próprio valor de mercado do atleta, que vinha a ser visto como uma peça estratégica do PSG.
Fontes próximas do mercado admitem que a imagem pública do jogador poderá sofrer um abalo significativo, reduzindo o interesse de clubes e marcas premium, especialmente num contexto em que as entidades desportivas estão cada vez mais sensíveis a questões éticas, reputacionais e de responsabilidade social.
O desenrolar do processo será decisivo não só para a carreira de Lucas Hernández, mas também para a forma como os grandes clubes gerem riscos extradesportivos associados a jogadores de elevado perfil mediático.







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