— O tribunal decide declarar o arguido culpado e condená-lo à prisão perpétua.
A voz do juiz foi firme, quase automática. Para quem assistia, era apenas mais um processo encerrado. Para Marcelo, era o fim de tudo o que ainda restava por imaginar.
Ele manteve a cabeça baixa. Não protestou. Não discutiu. Sabia que nada do que dissesse mudaria aquela decisão. Ainda assim, quando o juiz voltou a falar, Marcelo ergueu os olhos.
— O arguido deseja dizer algo antes do encerramento da sessão?
Houve um silêncio pesado. Marcelo respirou fundo. A voz saiu fraca, mas clara.
— Senhor juiz… só peço uma coisa. Uma única coisa.
— Continue — respondeu o magistrado, com cautela.
— O meu filho nasceu quando eu já estava preso. Nunca o vi. Nunca o segurei. Se for possível… só queria vê-lo. Nem que seja por um minuto.
Alguns murmurinhos percorreram a sala. O juiz ficou imóvel durante longos segundos. Depois, olhou para os guardas e fez um gesto discreto com a mão.
A porta lateral abriu-se.
Uma mulher entrou devagar. O rosto mostrava noites sem dormir. Nos braços, segurava um bebé muito pequeno, enrolado numa manta azul. Era a esposa de Marcelo.
Os agentes retiraram-lhe as algemas. As mãos dele tremiam quando recebeu o filho. Não sabia como segurar aquele corpo tão frágil. Aproximou-o do peito, como se tivesse medo de que o momento desaparecesse.
As lágrimas caíram sem controlo. Não eram de desespero. Eram de reconhecimento.
— Desculpa, meu filho… — murmurou. — Desculpa não estar lá fora contigo.
A sala inteira ficou em silêncio. Ninguém se mexeu. Nem o juiz. Nem os guardas. Nem os jurados. Só se ouvia a respiração suave do bebé.
Foi então que aconteceu.
O bebé mexeu-se nos braços de Marcelo…
abriu os olhos…
e fez algo que ninguém ali estava preparado para ver 😱😢
(continua…)












