Planeamento Patrimonial & Risco Jurídico | 04 de Fevereiro de 2026
Um casamento realizado em segredo, em pleno confinamento, acabou por expor uma das maiores fragilidades do sistema de proteção patrimonial em Portugal. Aos 89 anos, e já em processo de demência, um idoso perdeu praticamente todo o seu património após contrair matrimónio com uma mulher significativamente mais nova, num caso agora revelado por uma investigação jornalística.
O episódio levanta alertas graves sobre planeamento sucessório, capacidade jurídica e abuso financeiro de idosos, um risco cada vez mais monitorizado por bancos, seguradoras e escritórios de advocacia especializados em Wealth Management.
Sinais clássicos de abuso patrimonial em idosos
Após o casamento, os familiares começaram a identificar indicadores típicos de risco financeiro:
- Levantamentos diários em numerário de valores elevados;
- Redução abrupta de poupanças bancárias;
- Isolamento do titular do património;
- Venda acelerada de imóveis sem justificação económica;
- Intermediação jurídica concentrada num único círculo.
Em apenas doze meses, o saldo bancário desceu de cerca de 50 mil euros para menos de 10 mil euros. Paralelamente, vários imóveis localizados em zonas valorizadas — incluindo áreas metropolitanas e turísticas — começaram a ser alienados.
O papel crítico dos advogados e do planeamento em vida
Este caso demonstra como a ausência de instrumentos legais preventivos — como testamento vital, mandato duradouro ou estruturas de trust familiar — deixa patrimónios vulneráveis a esquemas legalmente complexos, mas economicamente devastadores.
No mercado imobiliário premium, frequentemente monitorizado por investidores através do idealista, situações desta natureza representam perdas irreversíveis de ativos que poderiam ter sido protegidos com uma correta governança familiar.
Para advogados especializados em sucessões e banca privada, a prevenção passa por auditorias patrimoniais periódicas, avaliação de capacidade jurídica e estruturas de controlo cruzado em contas e imóveis.
Nota: Em 2026, proteger o património em vida deixou de ser um luxo — é uma necessidade estratégica para garantir segurança financeira, justiça sucessória e tranquilidade familiar.














