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Futebol português está no declínio

 


Uma multa que envergonha o futebol português

Dois meses depois do grave episódio de coacção exercida por elementos ligados ao FC Porto sobre o árbitro Fábio Veríssimo, o desfecho disciplinar resume-se a uma multa de 12.750 euros. Uma decisão difícil de compreender e impossível de aceitar à luz dos valores que deveriam reger o futebol português.

O que aconteceu não foi um simples excesso emocional nem um incidente menor. Tratou-se de um atentado ético sério, que colocou em causa a independência da arbitragem, a credibilidade das competições e o próprio princípio da autoridade desportiva. Ainda assim, a resposta institucional foi frouxa, quase simbólica, e totalmente desprovida de efeito dissuasor.

Uma multa deste valor, aplicada a um dos maiores clubes do país, não representa castigo, não cria precedente e não transmite qualquer mensagem pedagógica. Pelo contrário, normaliza comportamentos inaceitáveis e reforça a ideia de que, no futebol português, compensa ultrapassar os limites — porque as consequências são irrelevantes.

Mais preocupante do que a sanção em si é a aparente falta de consciência sobre a gravidade do episódio. Não se protegeu o árbitro, não se protegeu a verdade desportiva e, sobretudo, não se protegeu o futebol enquanto instituição. Quando actos desta natureza são tratados como infrações menores, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.

Sem punições exemplares, não há respeito. Sem respeito, não há justiça competitiva. E sem justiça, o futebol português continua refém da impunidade, da banalização do abuso e da erosão silenciosa dos seus próprios valores.

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