A intervenção no dique de Coimbra, sob coordenação da Agência Portuguesa do Ambiente, prevê o encerramento total da fissura até 27 de fevereiro, após a aplicação de cerca de 9.000 toneladas de rocha. Contudo, os impactos económicos no Baixo Mondego podem ultrapassar centenas de milhões de euros, colocando em risco a solvabilidade de dezenas de explorações agrícolas. Em 2026, a prioridade estratégica passa por proteger liquidez, renegociar passivos e ativar mecanismos de cobertura de risco climático.
Seguros Agrícolas e Linhas de Crédito de Emergência
A primeira resposta financeira passa pela ativação de seguros de colheitas e multirriscos agrícolas. Instituições como o Millennium BCP, em parceria com a Fidelidade e a Allianz, disponibilizam coberturas para fenómenos extremos, inundações e quebras de produtividade.
Paralelamente, linhas de crédito de campanha permitem reforçar fundo de maneio e assegurar continuidade operacional. A renegociação de crédito agrícola, com eventual período de carência, pode ser determinante para evitar incumprimento bancário.
Infraestrutura, Tecnologia e Leasing Industrial
A reconstrução do dique e a estabilização de acessos rodoviários exigem maquinaria pesada e monitorização técnica especializada. Empresas como a Cachapuz (referência nacional em sistemas de pesagem industrial) e a ABB (automação e engenharia) desempenham papel relevante na modernização e controlo de risco estrutural.
No plano financeiro, soluções de leasing operacional e crédito para investimento disponibilizadas pelo Banco Santander e pelo Millennium BCP permitem substituir equipamentos danificados sem comprometer excessivamente a tesouraria.
Gestão de Risco Patrimonial e Proteção de Ativos
A crise no Mondego evidencia a necessidade de uma abordagem estruturada de gestão de risco patrimonial. Seguradoras internacionais como a Zurich Insurance Group e a AXA oferecem soluções de cobertura empresarial adaptadas a eventos climáticos extremos.
Para produtores com exposição internacional ou ativos financeiros externos, bancos como o UBS permitem estruturar reservas em moedas fortes, funcionando como instrumento adicional de diversificação e proteção cambial.
Conclusão: Liquidez é Sobrevivência
Num contexto de risco climático crescente, a resiliência financeira do setor agrícola depende da combinação entre seguros adequados, crédito estruturado e planeamento patrimonial. A prioridade imediata deve ser proteger fluxo de caixa, garantir cobertura contratual e reavaliar exposição a fenómenos naturais.
A crise no Baixo Mondego não é apenas ambiental — é um teste direto à robustez financeira das explorações. Quem antecipar risco e estruturar capital terá maior capacidade de recuperar e prosperar na próxima campanha agrícola.












