Tudo sobre desporto

Portugal entra em 2026 com as Presidenciais mais imprevisíveis de sempre

 

Portugal inicia o ano de 2026 com um dos processos eleitorais mais incertos da sua história democrática. As eleições presidenciais de janeiro prometem ser das mais concorridas de sempre, marcadas por um número elevado de candidatos e por um cenário político fortemente fragmentado.

Após uma década com Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República — sempre eleito à primeira volta e com larga vantagem —, a ausência do atual chefe de Estado na corrida abre caminho a um sufrágio altamente disputado, com forte probabilidade de avançar para uma segunda volta, algo que apenas aconteceu uma vez, em 1986.

Sem um candidato incumbente, estas presidenciais estão já em vias de ultrapassar o recorde de concorrência registado em 2016, quando se apresentaram dez candidatos. A pouco mais de um mês do ato eleitoral, chegaram a ser anunciados mais de 40 pré-candidatos, número que deverá reduzir-se significativamente após o processo de validação pelo Tribunal Constitucional e a recolha das 7.500 assinaturas exigidas por lei.

Ainda assim, há um dado inédito que marca estas eleições: pela primeira vez na democracia portuguesa, sete candidatos contam com apoio formal de partidos com assento parlamentar. Até agora, o máximo tinha sido registado em 2021, com cinco candidaturas apoiadas por forças políticas.

Entre os candidatos com respaldo partidário encontram-se Luís Marques Mendes (PSD), André Ventura (Chega), António José Seguro (PS), João Cotrim de Figueiredo (IL), Catarina Martins (BE), António Filipe (PCP) e Jorge Pires (Livre). A diversidade reflete o atual quadro político, marcado pela presença de dez forças representadas na Assembleia da República.

Este contexto de fragmentação foi acentuado pelo crescimento do Chega, que se afirmou como segunda força parlamentar nas últimas legislativas, quebrando o tradicional eixo bipartidário da política portuguesa e contribuindo para um ambiente eleitoral mais polarizado e imprevisível.

A imprevisibilidade aumenta ainda mais com a presença de um candidato independente entre os favoritos das sondagens: Henrique Gouveia e Melo. Antigo chefe do Estado-Maior da Armada e figura central na coordenação do processo de vacinação contra a covid-19 em 2021, o almirante tem feito uma campanha assente na ausência de filiação partidária, sob o lema “o meu partido é Portugal”.

Apesar de se apresentar como independente, Gouveia e Melo tem reunido apoios transversais, incluindo figuras de diferentes quadrantes políticos, o que reforça o seu peso na corrida presidencial e contribui para o cenário de incerteza quanto ao desfecho do sufrágio.

Quase quarenta anos depois da única segunda volta presidencial da história democrática, Portugal volta assim a enfrentar um cenário em que esse desfecho surge como altamente provável, espelhando a crescente polarização e complexidade da vida política nacional.

Share:

Sem comentários:

Enviar um comentário

Top Semanal

Categories

adcash

Mensagens populares

close

Pages