Especialistas garantem que o hantavírus identificado no navio MV Hondius apresenta uma transmissão muito mais difícil entre pessoas, reduzindo o risco de um cenário semelhante ao vivido durante a pandemia de covid-19.
A descoberta de casos de hantavírus associados ao navio de cruzeiro MV Hondius gerou preocupação internacional nos últimos dias, mas especialistas em doenças infecciosas procuram agora tranquilizar a população.
Em declarações à AFP, a médica Karin Ellen Veldkamp, responsável pela unidade de doenças infecciosas do Centro Médico Universitário de Leiden, nos Países Baixos, afirmou que o vírus “não se transmite facilmente” entre pessoas.
Questionada sobre a possibilidade de o hantavírus se transformar numa nova pandemia semelhante à covid-19, a especialista respondeu de forma direta: “Não é como a covid.”
Segundo a médica, embora existam suspeitas de transmissão entre passageiros no navio, o nível de contágio é muito inferior ao registado durante a crise sanitária mundial causada pelo coronavírus.
O hospital universitário de Leiden confirmou ainda estar preparado para receber novos pacientes, mantendo protocolos rigorosos de isolamento, segurança hospitalar e controlo de infeções.
Os doentes permanecem isolados enquanto apresentam sintomas e apenas deixam os quartos de isolamento após avaliação clínica e testes negativos.
⚠️ Reflexão NGOMA
Mesmo sem sinais de uma nova pandemia global, surtos infecciosos continuam a gerar impacto imediato nos mercados, no turismo internacional, nas seguradoras e nos sistemas hospitalares. A memória económica deixada pela covid-19 faz com que qualquer novo vírus seja acompanhado com enorme atenção financeira pelas autoridades e investidores.
Hospitais europeus mantêm protocolos reforçados
A unidade hospitalar de Leiden revelou que possui equipas altamente treinadas para lidar com doenças infecciosas deste tipo. Além disso, outros hospitais neerlandeses encontram-se preparados para partilhar a capacidade de resposta caso surjam mais casos relacionados com o cruzeiro.
As autoridades europeias continuam a monitorizar a situação, embora várias entidades internacionais tenham afastado, para já, qualquer cenário de emergência sanitária global.
Nos últimos anos, surtos infecciosos em navios de cruzeiro passaram a ser acompanhados com especial atenção devido ao elevado fluxo internacional de passageiros e ao potencial impacto económico sobre o turismo marítimo.
💰 NGOMA FINANCEIRA: como surtos sanitários afetam turismo, seguros e mercados globais
Mesmo quando o risco de transmissão é considerado reduzido, notícias relacionadas com vírus e surtos infecciosos provocam impacto imediato nos setores do turismo, aviação, seguros de viagem e mercados financeiros internacionais.
Após a pandemia de covid-19, companhias de cruzeiros, hotéis e operadores turísticos reforçaram significativamente os investimentos em protocolos sanitários e seguros especializados para reduzir riscos operacionais e financeiros.
Instituições financeiras internacionais e grupos seguradores continuam igualmente atentos a eventos sanitários com potencial de afetar cadeias logísticas, circulação internacional e comportamento dos consumidores.
Empresas como Allianz, AXA e Fidelidade reforçaram nos últimos anos produtos ligados a assistência médica internacional, seguros de viagem e proteção hospitalar.
Já bancos como Millennium BCP, Santander Portugal e Caixa Geral de Depósitos mantêm alertas internos relacionados com estabilidade económica global, sobretudo em setores mais sensíveis ao turismo e à mobilidade internacional.
Analistas recordam que, embora o cenário atual esteja longe de uma crise sanitária global, o simples aumento de incerteza já é suficiente para gerar volatilidade financeira e mudanças temporárias no comportamento dos consumidores.
Fonte: AFP
