Joana Marques chora a morte da fã número um: a homenagem arrebatadora à avó que sonhou ser atriz

 

Famosos | 06 de Fevereiro de 2026

Joana Marques está de luto. A humorista e animadora das manhãs da Rádio Renascença, de 40 anos, partilhou uma homenagem profundamente emotiva à avó Estela, a mulher que descreve como a sua maior fã, cúmplice de vida e inspiração constante. Mesmo num momento de dor, Joana recorreu ao humor — o traço que ambas partilhavam — para celebrar uma vida longa, irreverente e cheia.

“Era imortal até prova em contrário”, escreveu Joana. “Infelizmente a prova chegou. Mas felizmente tardou. Nenhum texto lhe fará justiça, mas como fã número um de qualquer coisa que eu escrevesse, acho que merece uma última homenagem. Que nunca será a última.”

Para Joana, era simplesmente avó Estela, mas ao longo da vida teve muitos nomes. Na escola, chamavam-lhe “Maria Rita”, porque estava sempre a rir — sobretudo quando imitava os professores da instrução primária, acabando muitas vezes expulsa da sala. Chegou a sonhar ser atriz, mas nasceu em 1923, numa época em que “não era uma profissão bem vista para meninas”. Joana admite: “Passei a honra de ser sua encenadora em muitos teatros caseiros”.

Estela estudou com nomes incontornáveis da cultura portuguesa, como Maria Barroso e Sebastião da Gama, e tinha, tal como a neta, um espírito “trocista” — um adjetivo que Joana diz ser “sinónimo de nós as duas”. Não por acaso, uma colega chamava-lhe “Estrela”. “Era uma estrela. Mas uma estrela rock”, descreve Joana. “Acordava ao meio-dia, só comia o que lhe apetecia e, como qualquer rockstar, era transgressora.”

Entre as duas, os momentos inesquecíveis acumulam-se: férias no Hotel do Vimeiro com gelados muito para lá do limite permitido, ou festas às quais Joana estava proibida de ir, mas para onde a avó a levava na mesma. Partilhavam até os aniversários — dias consecutivos: “Ela a 2 de janeiro, eu a 3. Em 2004 bastaram duas velas: fizemos 81 e 18. E eu jurava que os 18 eram dela.”

A avó viveu o suficiente para conhecer os bisnetos, ganhando um novo nome: “Avó Catela”. “Bisavó era um título demasiado pesado para alguém tão leve”, escreve Joana. Repetiu com os mais pequenos as mesmas brincadeiras de outrora, escondendo-se atrás dos cortinados — “só as avós têm reposteiros na porta de casa, não é?”. Para a humorista, aquela casa era um teatro onde tudo era possível.

“Tudo me lembra a minha avó”, confessa Joana Marques. Desde os lanches no Careca, onde escolhia sempre a sobremesa mais insossa, até às chamadas de telemarketing, das quais a avó se livrava com mestria: “Essa senhora já não mora cá, já morreu”. “E ríamos muito. Como voltei a rir agora.”

Durante anos, Joana oferecia-lhe um calendário no Natal — uma espécie de pacto silencioso para garantir mais um ano de vida. Nos últimos tempos, deixou de o fazer. “Agora posso ver isto como superstição quebrada ou como a aceitação de que não podemos obrigar ninguém a viver para sempre.” A última imagem que guarda da sua maior fã é simbólica: a avó à janela, a acenar até a família desaparecer na esquina. “Assim estou eu hoje, à janela”, escreve Joana. “Só que ela não desaparece do meu horizonte, nunca.”

“Não é preciso ir vasculhar álbuns antigos. Basta olhar ao espelho. É impossível esquecermos alguém que também somos.”

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