Quem era Nuno Loureiro, o físico português morto em Boston

 


Nuno Loureiro, físico português de 47 anos, morreu esta terça-feira em Boston, nos Estados Unidos. O investigador, natural de Viseu, era uma das figuras mais respeitadas da ciência portuguesa no estrangeiro e dirigia um dos centros de investigação mais prestigiados do mundo, no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Desde muito cedo manifestou o desejo de seguir uma carreira científica, apesar de não existir tradição académica na família. Licenciado pelo Instituto Superior Técnico, em Lisboa, construiu um percurso académico de excelência que o levou a afirmar-se como referência internacional na área da física teórica e da fusão nuclear.

No início de maio de 2024, Nuno Loureiro foi nomeado diretor do MIT Plasma Science and Fusion Center, um dos mais importantes centros de investigação em ciência dos plasmas e fusão nuclear a nível mundial. O centro conta com mais de 250 investigadores e dispõe de vários edifícios dedicados exclusivamente à investigação laboratorial.

Especialista em fusão nuclear, Loureiro dedicou grande parte da sua carreira ao estudo de fenómenos como a turbulência de plasmas e a reconexão magnética, processos fundamentais para o desenvolvimento desta forma de energia. A fusão é apontada por muitos cientistas como uma possível resposta à crise energética global, por ser limpa, segura e praticamente ilimitada.

Doutorado pelo Imperial College de Londres, realizou pós-doutoramento na Universidade de Princeton e trabalhou no laboratório nacional de fusão nuclear do Reino Unido. Entre 2009 e 2015, regressou a Portugal, antes de aceitar o convite do MIT para integrar o seu corpo docente em 2016.

Em entrevistas recentes, Nuno Loureiro mostrava-se confiante de que os avanços alcançados nos últimos anos poderiam conduzir a resultados históricos num futuro próximo, sublinhando o papel crescente do investimento privado e filantrópico na investigação em fusão nuclear.

Para além do reconhecimento científico, era descrito pelos colegas como um investigador brilhante e um líder inspirador. Deixa a mulher e três filhas. A sua morte gerou uma onda de pesar na comunidade científica nacional e internacional.

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