Mensagem emotiva do escritor
Passaram-se dois anos de um dia triste e que viria a marcar a vida de Pedro Chagas Freitas: o momento em que o pai perdeu a vida. Desde então, em relação ao progenitor, o luto tem invadido o coração do escritor, no entanto, tal não invalidou que escrevesse, numa partilha muito especial nas suas redes sociais, para o falecido pai.
"Dois anos sem ti, pai. E continuamos a ser os dois quando vou em viagem, o carro em silêncio, os quilómetros a passar, o teu lugar sempre por ocupar. Não se ocupa um vazio. Sem ti, sei que nunca mais serei cem por cento feliz, nem quero, acredita. Terei uns segundos de felicidade perfeita, espero; mas assim que souber que não estás lá para ser feliz comigo vai passar", começou por escrever.
"Não quero superar a tua perda. Não se supera a perda de quem se ama; o máximo que se consegue é integrá-la, fazê-la parte do que somos. Onde estavas tu está um vazio, e é assim que estás tu. Falo contigo a toda a hora. Quando me sento a ver um jogo, no estádio ou no sofá, somos dois. Acho que vamos ser sempre dois naquilo que sempre fomos dois", continuou Pedro Chagas Freitas.
"Dás-me conselhos, imagino o que pensarias. Estás no interior das minhas escolhas. A cada uma delas, penso no que dirias, no que farias. Rio-me muito contigo quando ouço, quando vejo, algo de que sei que te ririas muito. A morte não sabe nada sobre amor, sobre o que junta as pessoas. Perdi a possibilidade de te abraçar a pele, os ossos, a carne, há dois anos. Dói horrores, é insuportável às vezes. Tempo nenhum te apaga em mim", afirmou ainda o autor.
Antes de dormir, digo o que sempre te disse: 'Até amanhã se Deus quiser'. E dou-te um beijo em cada lado do rosto, peço-te para continuares aí a protegeres os nossos passos. Pedro Chagas Freitas deixou ainda a certeza que o filho, o pequeno Benjamim "está bem" e recordou o tempo em que o menino esteve internado no hospital.
"A saudade existe quando o amor existe. Amo a saudade. É uma das mais formas mais bonitas de continuar a amar-te. A morte é um idioma que não aprendo por inteiro. Se houver um lugar onde os nomes não se apagam, guarda o meu contigo. Pai, dois anos. Escrevo-te para que o esquecimento não vença. 'Até amanhã se Deus quiser'. Onde eu estiver, estarás", lê-se por fim.
