Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está a desenvolver um método inovador e não invasivo para identificar doentes com maior risco de desenvolver défice cognitivo após um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O objetivo passa por permitir que os sobreviventes recebam tratamentos mais protetores e personalizados, reduzindo o risco de sofrerem sequelas cerebrais a longo prazo. A informação foi divulgada nas vésperas do Dia Nacional do Doente com AVC, que se assinala esta semana.
Estudo analisou mais de 300 sobreviventes de AVC
O estudo envolveu 316 doentes admitidos no Hospital de São João, no Porto, com idade média de 67 anos, sendo 68% do sexo masculino. Os investigadores concluíram que os pacientes com passagem de micro-êmbolos para o cérebro apresentam um risco duas vezes maior de desenvolver défices cognitivos a longo prazo.
Os micro-êmbolos são pequenas partículas que podem bloquear vasos sanguíneos cerebrais, provocando danos adicionais, mesmo após o AVC inicial.
A descoberta foi publicada na revista científica Stroke, em setembro de 2025, e representa um avanço relevante na identificação precoce de complicações neurológicas.
Problemas cognitivos podem surgir após AVC
Segundo os investigadores, os défices cognitivos podem manifestar-se através de sintomas como:
- Dificuldades de memória
- Pensamento mais lento
- Problemas de concentração
- Desorientação
- Dificuldades na fala
O investigador principal, Pedro Castro, explicou que os danos cognitivos não dependem apenas da lesão inicial provocada pelo AVC, mas também da continuidade do microembolismo cerebral.
Exame simples e não invasivo
Os doentes foram avaliados através de um exame com doppler transcraniano, realizado nas primeiras 72 horas após o AVC. Este método permite detetar micro-êmbolos em tempo real através de ultrassons.
Os investigadores comparam este exame a um "radar de submarino", capaz de identificar pequenas partículas em circulação no cérebro.
Entre as principais vantagens deste método estão:
- Exame não invasivo
- Sem exposição a radiação
- Baixo custo
- Portátil e fácil de aplicar
- Resultados em tempo real
Segundo a equipa, esta técnica poderá ser utilizada futuramente para identificar doentes com maior risco e aplicar tratamentos mais eficazes desde cedo.
Próximo passo: ensaio clínico
Os investigadores pretendem agora avançar para um novo ensaio clínico com o objetivo de comprovar que tratamentos mais intensivos em doentes com sinais microembólicos reduzem o declínio cognitivo a longo prazo.
O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e integra uma linha de investigação em doenças cerebrovasculares liderada pela neurologista Elsa Azevedo.
💼 Impacto financeiro e proteção na saúde
O AVC é uma das principais causas de incapacidade permanente, podendo gerar forte impacto financeiro nas famílias. Especialistas recomendam:
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Esta investigação portuguesa poderá representar um avanço significativo na prevenção de sequelas cognitivas após AVC, permitindo diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes para milhares de doentes.
