Espanha questiona estatuto de José Mourinho após eliminação do Benfica

 


Em Espanha, a análise é direta: José Mourinho já não é visto como o “Special One” na Liga dos Campeões. A eliminação do Benfica frente ao Real Madrid, com derrotas por 0-1 na Luz e 1-2 no Santiago Bernabéu, agravou um registo histórico negativo do treinador português na competição.

Com este desaire, Mourinho tornou-se o primeiro técnico a somar 10 jogos consecutivos sem vencer em fases a eliminar da Champions League — acumulando seis derrotas e quatro empates. O dado foi amplamente destacado pelo diário espanhol Marca, que sublinha a perda de eficácia do treinador numa prova onde já foi duas vezes campeão europeu.

Do FC Porto e Inter ao atual ciclo negativo

O treinador português construiu parte da sua reputação europeia ao conquistar a Champions pelo FC Porto, em 2004, e pelo Inter, em 2010, quebrando longos períodos sem títulos nesses clubes. Contudo, segundo a imprensa espanhola, a “química” com a principal competição da UEFA parece ter-se dissipado nos últimos anos.

Apesar de sucessos mais recentes noutras provas europeias — como a conquista da Conference League com a Roma em 2022 e a presença na final da Liga Europa em 2023 — a Liga dos Campeões tem-se revelado um obstáculo persistente.

Uma época particularmente dolorosa

A presente temporada ficou marcada por um cenário invulgar: Mourinho foi eliminado duas vezes na mesma edição da Champions. Primeiro, ainda ao comando do Fenerbahçe, afastado pelo Benfica na fase de qualificação. Depois, já como treinador das águias, caiu nos play-offs frente ao Real Madrid.

O jornal espanhol recorda ainda aquele que o próprio técnico considerou o momento mais duro da sua carreira na prova: a eliminação do Real Madrid frente ao Bayern, em 2012, nas meias-finais decididas por penáltis. Mourinho assumiu, no passado, que acreditava firmemente que venceria essa final caso tivesse ultrapassado os alemães.

Impacto na perceção internacional

O debate em Espanha vai além dos números. Para parte da crítica, o problema não está apenas nos resultados, mas na perda de influência estratégica numa competição cada vez mais dominada por dinâmicas táticas modernas e elencos altamente competitivos.

Ainda assim, o percurso europeu de Mourinho continua a ser um dos mais marcantes do futebol contemporâneo. A questão que se coloca agora é se o técnico conseguirá reinventar-se na Champions League e recuperar o estatuto que o tornou uma das figuras mais emblemáticas da história recente da competição.

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