Os episódios de cheias e precipitação extrema em Portugal tornaram-se mais frequentes e intensos, representando um risco crescente não apenas para a segurança das populações, mas também para o património imobiliário, a estabilidade financeira das famílias e a continuidade das empresas. Este guia analisa o impacto económico das cheias e explica como proteger ativos antes, durante e após eventos climáticos severos.
O Impacto Financeiro das Cheias em Portugal
As cheias provocam danos diretos em habitações, edifícios comerciais, infraestruturas e veículos. Segundo estimativas do setor segurador, os prejuízos médios por imóvel podem variar entre 5.000€ e 50.000€, dependendo da gravidade da inundação e da localização do ativo.
Para além dos danos materiais, existem custos indiretos relevantes, como a perda de rendimentos, interrupção de atividade económica, desvalorização do imóvel e aumento do endividamento familiar.
Seguros Multirriscos: O Que Deve Estar Coberto
Uma das principais falhas detetadas após eventos extremos é a inexistência de cobertura adequada nos seguros multirriscos habitação e empresariais. Nem todas as apólices incluem, por defeito, a cobertura de Fenómenos da Natureza.
Esta cobertura é essencial para garantir indemnização em situações de:
- Cheias e inundações
- Deslizamentos de terras
- Enxurradas e aluimentos
- Danos estruturais provocados por excesso de água
Revise a sua apólice antes do período de maior risco e confirme os capitais seguros. Subseguro é uma das principais causas de indemnizações insuficientes após cheias.
Empresas, Cash Flow e Planeamento de Contingência
Para empresas localizadas em zonas ribeirinhas ou áreas de risco, as cheias representam uma ameaça direta ao fluxo de caixa. Danos em stock, equipamentos e interrupções logísticas podem comprometer a tesouraria em poucos dias.
A existência de planos de contingência financeira, seguros adequados e reservas de liquidez é determinante para evitar situações de insolvência técnica após catástrofes naturais.
Linhas de Crédito e Apoios à Recuperação
Em situações de prejuízo significativo, é comum o recurso a linhas de crédito bonificado, apoios municipais ou mecanismos extraordinários de financiamento. No entanto, estas soluções devem ser avaliadas com cautela, para não comprometer a sustentabilidade financeira no longo prazo.
Prevenção Financeira: A Melhor Proteção do Património
A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz. Medidas simples como a retirada preventiva de bens, a criação de fundos de emergência e a atualização regular dos seguros podem reduzir drasticamente o impacto financeiro das cheias.
Conclusão:
Eventos climáticos extremos vieram para ficar. Proteger o património exige planeamento,
seguros adequados e decisões financeiras informadas. A diferença entre recuperar rapidamente
ou sofrer perdas prolongadas começa antes da próxima chuva.
