André Ventura concedeu esta terça-feira a sua primeira entrevista televisiva após a primeira volta das eleições presidenciais, assumindo-se como o representante de uma direita que, segundo o próprio, venceu o escrutínio, embora fragmentada em várias candidaturas.
O líder do Chega sublinhou que a segunda volta coloca os eleitores perante apenas duas escolhas, defendendo que não se trata de eleger um “amigo”, mas sim quem terá a responsabilidade de liderar o País. Ventura afirmou-se como um candidato interventivo, alegando que Portugal precisa de “mudança” e de uma postura firme por parte do Presidente da República.
Questionado sobre o seu adversário, António José Seguro, Ventura afirmou não reconhecer ideias concretas no candidato socialista, reforçando que o cargo presidencial exige mais do que consensos fáceis. “Garantir estabilidade não pode significar deixar de ser exigente”, declarou, acrescentando que pretende honrar o salário pago pelos contribuintes.
O candidato criticou duramente a situação no setor da Saúde, defendendo a demissão da ministra responsável e considerando inaceitável que cidadãos aguardem dezenas de horas por atendimento hospitalar.
Ventura garantiu ainda que, caso seja eleito, colocará o interesse nacional acima de qualquer partido político, admitindo que ninguém é insubstituível e que o seu próprio ciclo político terá um fim. Defendeu também a necessidade de evitar eleições frequentes e prometeu uma postura rigorosa perante qualquer ameaça à independência do jornalismo.
No tema das fronteiras e da segurança, afirmou que nunca promulgará leis que facilitem uma maior abertura migratória e rejeitou a ideia de ser “Presidente de todos”, sublinhando que não quer representar criminosos ou redes de abuso.
Relativamente à eventual dissolução do Parlamento, Ventura assegurou que apenas o faria em situações graves relacionadas com corrupção ou falhas éticas sérias, afastando qualquer uso desse poder para benefício partidário.
André Ventura terminou a primeira volta em segundo lugar, com cerca de 23% dos votos, enquanto António José Seguro liderou o escrutínio com aproximadamente 31%. A contagem final aguarda ainda os resultados de alguns consulados no estrangeiro.








Sem comentários:
Enviar um comentário